quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Brisa Musical X / Paraíso

Existem coisas que nunca chegam a ser. Algo que sabemos como foi sem ter sido. Estive com a tua fotografia na mão. Pergunto me se valeu a pena. Ensinaram-me sempre a lutar por aquilo que quero. Quero acreditar que o tenho feito até aqui, quero.
Estou a quilómetros de casa, num sitio que dificilmente algum dia chamarei de casa. Sei que um dia vou voltar a casa. Sei que um dia voltaremos a encontrar-nos. Sei que um dia te vais arrepender. Sou um sonhador. Mas será isso mau?
Tento fechar os olhos e ver o futuro. Para... Para... Paradise...   Se calhar nunca o vou conseguir ver. Se calhar não nos voltaremos a ver.
Não desgosto do tempo. Dá nos maturidade, não é o que dizem ? Mas, às vezes, gostava de o poder controlar. Poder avançar e recuar no tempo. Seria um dom, ou uma maldição?

Ultimamente tenho pensado num nós. Nunca dei muita importância a isso, pensei que seria um capricho pensar assim, típico de alguém mimado. Talvez a estupidez seja minha mas não sei o que é pior. Aqui há uns dias vi dois rapazes de mãos dadas e achei engraçado. Sorri e pensei que não me iria voltar a lembrar daquilo. Deve ter sido um estimulo qualquer mas, a verdade, é que desde aí tenho vindo a pensar na minha vida. Acho que já não me reconheço. O Christopher de alguns meses atrás diria provavelmente que era superior e que, se estava sozinho, estava muito bem. Ainda que não tenha mudado a minha opinião acerca de se procurar uma relação insistentemente (que considero não ser nada saudável), confesso que agora tenho pensado nisso.
Não sou tão independente como penso se calhar. Serei mais um a procurar um paraíso distante? Sinto me mal por ter dado conselhos a amigos que, agora, teimo em quebrar. Inevitavelmente, tenho pensado também em assumir-me perante os meus pais. Não quero pensar até porque, "pensar é estar doente dos olhos"...



P.S.: Como não poderia deixar de ser, identifiquei-me imenso com esta música e estou farto de a ouvir mas, por mais que a oiça, ainda não consigo perceber em que etapa estou... Será que já estou no monociclo, a caminho do paraíso?



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Boca de Cena

Ponto de ruptura. Deformação. Quebra. "Those 3 words are said to much". Julgar. Criticar. Não pensar. Errar. Sim, todos erramos. Aprendi que, talvez, não seja assim tão diferente daqueles de quem, desesperadamente, me desejo afastar. Uma chave. Uma gaveta onde pudesse fechar tudo o que não quero. Tudo o que não desejo. Tudo o que me faz sofrer. Não me importava que fosse como a caixa de Pandora. Não me importava de esquecer. De a enterrar. De a atirar para o mar.
Já não vejo o mar há algum tempo e, a última vez que o vi, roubou me uma lágrima. Quis mergulhar. Quis abrir os olhos debaixo de água e pensar que estava noutro Mundo. Quis encontrar o fio que um dia perdi. Quis encontrar a cruz que não carreguei, mas que gostava de ter comigo. Quis mergulhar e encontrar prata. Não gosto de ouro. "Remember."  Estava frio. Voltei para trás e sentei me na pedra. 
Já ali tinha estado antes. Uma conversa. Um fim. Um fim de um princípio que nunca chegou a ser. Ressentimentos. Não os tenho, pelo menos não deveria ter. Razão.Tenho, mas talvez não a suficiente. Hipóteses. Probabilidades. " As if you have a choice ". Um dia, hoje é o dia. Espero, de forma paciente.
Dou conselhos e digo que sim. Digo que a vida é curta. Digo que não se deve fugir a uma batalha.
Fuga. Desilusão. Sonho. Estou farto de coisas abstractas. "They never progress past that early promiss".
E quando não chega lutar? " If youre not really here i dont wanna be either". Talvez. Nunca. Sempre. Constante. Se me lembro? Nunca me vou esquecer. O que os outros acham, que me importa? E o que eu quero? O que eu acho, o que eu consigo. 
Levantei-me e subi a rua. Os outros. A mentira. Ficam no mar. Esquecidos. 

Um ano. Doze mezes. Trezentos e sessenta e cinco dias. Serei mais e voltaremos ao mesmo ponto. Recuo ou Avanço? "You ain`t seen the best of me yet". Esperemos que os pontos não sejam diferentes. Esperemos estar no mesmo palco. Esperemos estar no espectáculo. Esperemos. 
Recurso. E, se ainda assim não esperarmos?. Esperemos. Sim, porque nessa altura, não olharei para trás. 
Três. Número Perfeito. Não. Sete. Três correm as cortinas. Quatro actores. E o papel principal? Não faço intenções de o ter porque sempre tive a bondade de o conceder. Agora? Se te roubei tal papel não lamento. Se tenho protagonismo que a ti te é essencial, não lamento. Lamentar? Lamentaste? Arrependimento? Arrependeste-te?
Sorriso. Uma gargalhada. E, quem ri por último? A ver vamos até que a cortina se feche e, a quem a puxar...

  " I had a story that had to be told "



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Brisa Musical IX


"Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear"





"If I lay here
If I just lay here
Would you lie with me and just forget the world?"


Encaixe Induzido

"So come on and give me a chance... To prove I am the one who can....
Will i ever know how it feels to hold you close?
I`ve been here before... You`ll never know if you never try, To forget your past and simply be mine...
I know it ain`t easy... Nobody`s perfect... Trust me I`ve learned it..."


Pontos positivos? Alguns. Nunca disse que era perfeito. Tenho falhas que nunca vais conseguir corrigir. Defeitos que só mais tarde vais perceber. Nunca disse que queria ser perfeito. Posso não saber encontrar as minhas virtudes mas não ambiciono chegar a santo. Palavras. Actos. Se calhar deveria deixar de ser eu para passar a ser qualquer outro que se considere melhor. Se calhar devia mas não o vou fazer. Não mudo. Já o tentei fazer antes. Também já tentei acreditar que as pessoas mudam. E mudam, claro que sim. Para melhor ? Nem sempre, raramente.
Imaginação, tenho muita. Se estivestes a meu lado? Diria que sim. Sei que sim. Estiveste a meu lado. Apoiaste-te em mim. Acreditei, quis, ambicionei. Egocentrismo. Narcisismo. Sim, são defeitos tão meus quanto teus. Baixa auto-estima? Lamento, não tenciono ser um substituto. Não tenciono fazer-me passar por algo que não sou.
Pedem-me para ter cuidado. Para que não seja demasiado bruto, para que evite confrontos. Sei que me entendes. Sei que me consegues avaliar. Sei que, quando me olhas nos olhos, podes perceber muito mas tenho a dizer-te que é muito mais o que não vês. Disseram-me, várias vezes, que os meus olhos são vítreos. Não ter brilho pode ser bom. Eu vejo-te e tu , vês-me?
Surpreendeste-me, admito. O mesmo? Claro que não. Não confio em ti, deixei de o fazer. Não me tenciono deprimir, tentando contar aqueles olhares que para mim têm brilho. Será que o olhar dela tem brilho? E o dela, será que tem? Talvez não. Circunstâncias diriam... Verdade e Amizade.
Tempo. Um ano. Menos. Relógio tenho. Paciência também. Não me subestimes. Lembra-te que sei jogar xadrez. E o passado? Joguemos. Eu quero jogar. E tu, tens a certeza que queres?
Lunatismo e Ilusão. Cartas num castelo de cartas desmontado. Castigo. Verdade não sei se é mas acredito que sim. Inflamação e Coragem. Jogos psicológios, adoro. Veneno Inflamado. Castigo. E, no dia em que não puderes andar? No dia em que não puderes pensar? No dia em que vires que os teus olhos passaram a ser verdes?
Gosto de dados e gosto de cartas . K. Lamento se és Rei. Q. Lamento que sejas Rainha. J. Não lamento. Um Valete?!? Sim, vale mais que um Rei algumas vezes.
Ases, não falemos de ases porque, se as copas não fossem vermelhas, provavelmente estariam fora do baralho...




quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Explicações de Pouca Importância

Explicação do meu último post.


Eu até gosto da minha faculdade. Tem boas, bons professores, clínicas muito bem apetrechadas, salas de aula Xpto e laboratórios muito bons. No entanto, e apesar de haverem excepções, as pessoas são estúpidas. Sim, eu não devia estar a julgar as pessoas nunca tendo falado com elas mas, a avaliar pelas com que já falei, parece-me que a maioria tem pouco dentro da cabeça (em termos anatómicos isto é uma monumental atrocidade mas pouco importa para o caso). Sou uma pessoa tímida. Até acho que me dou bem com as pessoas e, sou muito amigo dos meus amigos mas, ainda assim, primeiro que conheça as pessoas sou muito reservado. Não sou sequer de meter conversa com as pessoas como alguns fazem (e neste caso arrependo me de o ter feito). Uma das minhas tentativas de meter conversa com alguém foi na minha primeira aula de inglês onde, ainda cá fora, se encontravam dois rapazes a conversar. Um deles eu conhecia, daí ter aproveitado para ver se metia conversa com o outro (descartem-se quaisquer pensamentos pecaminosos em relação ao outro rapaz pois não se tratou de tal coisa). Aproximei-me deles e falei para o G., o rapaz que conhecia. Conversa puxa conversa e, às tantas, o G. estava a contar-me da discussão que estava a ter com o outro rapaz. Eu lá dei a minha opinião e, visto ainda não me ter dirigido directamente ao outro rapaz, estendi-lhe a mão e disse:
- Ah, já agora, acho que ainda não nos conhecemos. Eu entrei à pouco tempo, chamo-me Christopher.
O rapaz olha para mim com o ar de enjoado, estende-me a mão e diz:
-N. muito prazer.
E, após dizer isto, vira a cara e fala para o G., quase a ignorar-me.
Decidi fazer o mesmo e afastei-me dali para ir falar com uma amiga minha já que percebi que não era bem-vindo.

Até aqui, tudo seria normal. Não estaria sequer minimamente importado com este atrasado mental (peço desculpa pela expressão) se tudo tivesse ficado por aqui.

Durante esta semana, estava eu com o R. e com o J. no bar, à procura de mesa, quando avistámos algumas pessoas da nossa turma sentados, ainda com lugares vazios na mesa. O J. até se ia sentar numa mesa afastada mas eu, como vi que havia lugar, disse-lhes para nos irmos sentar com eles. Aproximei-me da mesa e, na brincadeira, perguntei à B.:
-Podemos sentar-nos ou estão ocupados - disse com um sorriso
- Não, não, têm que pagar taxa - respondeu ela retribuindo o sorriso
Visto ser uma mesa corrida, fiquei eu de um lado e o R. e o J. do outro. Pedi licença para os outros chegarem as cadeiras para a frente, para poder passar e , qual não foi o meu espanto, quando percebi que o lugar vazio era ao lado do tal rapaz extremamente simpático. Ora eu nem liguei, visto querer sentar-me na mesma mas, quando lhe pedi licença para passar, não só o estúpido soltou um suspiro e não se chegou para a frente como ainda disse:
-Ahhhh, só faltava ...
Até fiquei parvo. E, depois apeteceu-me perguntar ao atrasado mental do saloio se tinha algum problema comigo (e não me parece que seja homofobia uma vez que não sou assumido e acho que ninguém desconfia - até porque acho que não sou tão transparente).
Para terminar em beleza, quando estávamos a sair do bar ergueu as sobrancelhas (numa daquelas expressões de "Até que enfim")

Sim, talvez esteja a ser estúpido e infantil mas fiquei mesmo irritado. Claro que devia ignorar, mas ainda assim enervam-me pessoas destas.
Amanhã vou ter aula com ele e , para variar, o rapaz deve passar a aula toda no facebook (sim, porque não presta atenção às aulas e depois faz perguntas descabidas)
Ainda se aceitam ofertas de frascos com paciência e, se se venderem ao quilo, por mim ainda melhor.
1g, que agora estou mais calmo...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

2g de Paciência

Não estou, de todo, com cabeça para aturar pessoas estúpidas. A sério, acho que cheguei ao meu limite. Qualquer ser humano tem um limite de estupidez que consegue aturar e o meu acabou de ser atingido. E, nestas alturas, apetece-me ser muito mal-educado para pessoas assim. Até me apetece proferir alguns impropérios para ver se me deixam em paz. Seria tudo bem melhor se pudéssemos ter férias numa ilha deserta, de vez em quando. Um armário. Um quarto. Um sítio onde não fosse perturbado também servia. Se calhar estou a ensandecer. Alguns diriam que já aconteceu. Não, acho que está a acontecer. Bem, pouco me importa isto tudo porque não consigo ser rude para as pessoas (Se bem que gostava de conseguir) e as pessoas para quem o texto é dirigido, nunca o vão ler. E, daí, talvez um dia. Talvez aí queira ser rude. Quando me faltar a paciência...

P.S.: Este texto carece de uma explicação, que darei no próximo post. Sinceramente agora estou demasiado,e peço desculpa pela expressão, "pissed off" !

P.P.S.: Frascos de paciência, precisam-se !

sábado, 15 de outubro de 2011

Medusa


Está Sol. Apetece-me ir até à praia. Tenho-a aqui tão perto agora. Ainda não vi o mar hoje. Não sei se o mar está flat ou gringo. A areia aqui é mais escura, tem mais rochas. Assim não comemos areia, mesmo quando o vento está mais forte. Claro que a água é mais fria e a praia não é em si muito grande mas, ainda assim, sabe bem ir à praia de vez em quando nem que seja para ver o mar. Estou numa cidade que se assemelha a mim enquanto pessoa na importância que dá ao mar. Quer seja pelo seu filho mais ilustre ter sido o impulsionador dos Descobrimentos, quer pela armada da cidade ter sido "tão mais nobre que se julgara não poder vir de tal pequena cidade", a verdade é que aqui o mar parece ter importância. Acho que há quem se esqueça do mar. Quem se esqueça de que um dia o que fomos, o que somos e, muito provavelmente o que viermos a ser, se deve ao mar. As ondas embalam, servem de diversão, como fonte de energia, como fonte de beleza inesgotável. E, muito de vez em quando, são capazes de uma destruição imensa. Ficariam os mais desatentos admirados porque eu não o fico. Lembra-me de uma história que ouvi acerca de uma boneca assassina que repetia constantemente a frase : Disseste que irias tomar conta de mim ! Pronto, talvez seja um exemplo um pouco absurdo mas, na realidade, talvez se passe um pouco disto. Claro que os Tsunamis são propiciados por um terramoto que resulta da convergência, divergência ou simples deslizamento entre duas placas.Tudo tem uma explicação científica, claro que sim. Contudo, por vezes, a realidade foge à ciência rindo-se a um canto. Talvez estejamos a brincar com a água, talvez nos achemos agora superiores simplesmente porque o somos mentalmente. Superioridade Relativa. Muito relativa. Por muito que nos achemos superiores a algo, mais tarde ou mais cedo, acabamos por perceber que a ilusão nem sempre é bonita como aparenta. Há quem goste de serpentes. A minha madrinha quer ter uma. Eu não gosto muito delas. Sim, são bonitas e inteligentes. Sim, talvez sejam algo "avangarde" em relação a outros, considerados... inferiores. Aprendi que não gosto muito delas. Contudo, aprendi também que as serpentes deixam-se encantar pelo vislumbre de algo semelhante. E, os espelhos? Servem muito provavelmente como a fraqueza, como um calcanhar de Aquiles com uma aparência tão mais bela... Aprendi a ser espelho então. Não pretendo ser um caçador de serpentes mas sim defender-me. Veneno? Existem antídotos e poções mágicas. Existem espelhos e existo eu. Se algum dia fores mordido por uma diz lhe que também tens veneno, diz lhe que a achas bela:


"And therefore think him as a serpent's egg,
Which, hatch'd, would as his kind grow mischievous,
And kill him in the shell"

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Máscara e Cinzas

Estou diferente. Sinto-me mais "crescido". Mais contente. Mais "Eu". Estou numa cidade que não a minha, algo independente. Senti-me deslocado quando cá cheguei. Agora? Estou feliz.
Tenho um post-it no meu quadro de cortiça que diz " O Sonho Comanda a Vida". É isso que estou a fazer. Percebi (finalmente) que estou onde muitos gostariam de estar, ainda que não possam. Percebi que não me importa que os outros estejam (ou pensem estar) por cima de mim. E, no final, Sr. Dr. não serão todos. Enche-me o ego e, ainda que pense que é algo fútil pois são meras palavras, gosto de o ouvir. Tenho orgulho no curso onde estou e, acima de tudo, acho que aprendi a ter orgulho no que sou.
Estava frio de manhã, quando saí de casa pelo que decidi então ir de botas para a Faculdade. Entretanto, durante a Tarde (eu bem peço que chova mas S. Pedro não me ouve) estava imenso calor. Claro que, inevitavelmente, os olhares críticos estiveram lá. Aqui há um tempo provavelmente ia ficar encavacado, envergonhado, com vontade de me esconder. Ontem não quis saber. Sim, não são da marca x, são da marca y que é menos cara. Não sou filho de uma ministra, o meu pai não é cirurgião plástico e a minha família não tem uma cadeia de farmácias. Hoje, uma rapariga da minha turma (filha de uma deputada), ficou muito espantada com a roupa que levava vestida e, tendo em conta que estava de camisa e jeans da pull, muito provavelmente foi o facto de não estar a usar uma marca Xpto. Sim, claro, não fica bem...
Tenho três amigos meus já a ter clínica. Tenho inveja deles, também quero...  Mas também tenho quem vá assistir a cirurgias e não me leve com ele (mas os acertos de contas fazem-se depois : )
Estou a dormir melhor também (tenho mais dois cobertores na cama). O quarto também está menos desarrumado . Claro que continuo com coisas amontoadas mas não tenho problemas. Vejo o mar menos vezes contudo. E, a Lua, mesmo quando acordo cedo, já não está lá.
Sempre quis fazer uma tatuagem e agora parece-me que já há um propósito.
15 dias depois parece que estou noutro Mundo. Sou mais "EU". Imperfeito, politicamente incorrecto. E, de tudo isto, só há algo que me atormenta... Física, matemática. Mas vou conseguir, sei que sim ( e hei de ter mais que 11 :)
Se sou o Christopher ainda? Claro que sim, serei sempre, mesmo quando passar a ser eu. Aí passarei a letra e, provavelmente vão perceber. Cada coisa a seu tempo. As folhas ainda não caíram todas e as letras do meu nome também não. (Até há quem me chame por outro nome ou quem me ache mais pequeno-nada contra, foi muito simpática). Talvez comece a perder letras com o chegar do Inverno... Talvez um dia a fissura faça estilhaçar a máscara... Christopher, ou Christophe, chamem-me como quiserem porque agora perdi uma letra.

Um dia ainda hei de fazer uma sopa de letras...
 Um dia, direi
 "Hoje é o dia"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O rumor do mimo que diz obrigado

Estive a olhar para o meu quarto. Tudo me parece
tão triste. Talvez seja aquela melancolia que está associada a uma viagem, a uma partida. Tenho andado a pensar no que vou levar comigo. Sei que não posso levar tudo e é por isso mesmo que me custa tanto fazê-lo. Provavelmente fui mimado demais, daí custar-me a abdicar das coisas, a despedir-me. Olhei para o meu globo de neve hoje e lembrei me da minha viagem a Londres, das gargalhadas com a minha mãe, do chocolate quente no Selfridge e do almoço no Harrods. "Sim, vou levá-lo". Mais ao lado, entalado entre os livros, um bilhete do Estoril Open 2011 (tinha os outros no quadro de cortiça mas não sabia deste). Lembrei-me da chuva, das minhas botas a pisarem as poças, da raquete que comprei, da fatia que pizza que deixei cair. "Hmm, também vens comigo". Continuei a vasculhar. Encontrei um bilhete de avião, para Geneve. Lembrei-me do aeroporto, da neve no topo das montanhas, do frio, dos pilotos e da boa acção que fiz. "Para dentro da caixa". Na última prateleira estava um porco ao pé de um texto. Este sabia onde estava. Algo que a J. me deu o ano passado, algo que representa a nossa amizade, que me fez lembrar cada sorriso, cada lágrima, cada momento que passámos juntos. Sorri. Não tinha dúvidas, "Claro que vens comigo"- disse eu para o porco (note-se que o porco era de peluche). Andei nesta azáfama quase o dia todo. " Já tenho tudo". No entanto, quando me preparava para ir à cozinha comer uma queijada (por falar nisso apetece-me comer uma a seguir a isto) vi algo no canto , encostado ao armário. Não era o meu trabalho da Drosophila melanogaster que me chamava a atenção ( se bem que ainda estou a ponderar se o levo). Encostada à parede, triste, sem ritmo, sem falar com ninguém há tanto tempo... Sim, tenho uma guitarra, acho que já o tinha dito. Escolhi-a preta, porque assim consigo reflectir as luzes brilhantes nela (sim, estou a ser um pouco paradoxal mas a verdade é que, apesar de preta, a guitarra reflecte bem a luz). Não toco nela há um ano e , sinceramente, tenho alguma vergonha de dizer que não sei tocar. Cheguei a aprender alguns acordes de algumas músicas mas agora acho que já nem pegar nela sei. Sinto que a desprezei. Que a ignorei, que não lhe dei a devida atenção. Quis prometer-lhe que, a partir de agora, passaria a ouvir os seus desabafos todos os dias, nem que só fossem alguns dias. Não consegui, não me sinto capaz de cumprir a promessa. Prometi-lhe então que a levaria comigo e que, quando pudesse, iria tentar conversar com ela. Será difícil pois não falamos a mesma língua (inglês e português entendo, francês amanho-me, "guitarrês"... hmm, não me ensinaram na escola , tenho pena, só "flautês").
Despreza-se a palavra, a honra, as promessas. Mas não te preocupes. Eu cumpro sempre uma promessa e o prometido é devido. Virás comigo e juntos vamos conversar (até porque para onde vou só te conheço a ti e a ele ). Talvez um dia falemos a mesma língua. Talvez um dia viajemos juntos e, talvez um dia, venhas comigo coleccionar sorrisos. Ah, não sabem ? (pois claro que não, que cabeça a minha) Agora colecciono sorrisos. Sim, e obrigados também. Muito pouca gente sabe, não gosto que se riam de mim, mas é verdade. Por enquanto são poucos mas espero, um dia, ter sorrisos suficientes para poder fazer da noite, dia. Sim , colecciono sorrisos e obrigados e ponho-os dentro duma caixa, um pouco barulhenta. " Hmm e essa, vai comigo?" Claro que sim, levo-a para onde vá. E , quando acelera, quando o TUM TUM se torna menos espaçado, apenas significa que preciso de mais sorrisos, de mais obrigados...

 E, de repente, só oiço a minha consciência a repetir a mesma frase, como um disco riscado :

"Bless your soul, youve got youre head in the clouds "

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Frasco Partido

Estou a ver a rua lá em baixo. Consigo ver os pinheiros do jardim. Vou até à sala e vejo o mar lá ao fundo. Olho para cima e vejo o céu, as nuvens. Mas nem sempre vejo o que quero. Sorrio. Choro. Uma tempestade? Um terramoto? Não sei e é isso que me atormenta. Não consigo perceber nada. Já não sei se sim. Se calhar estou dentro de areias movediças e não reparei. Sim, talvez seja isso. Uma dádiva, achei. Claro que é, uma das melhores noticias da minha vida, não por uma razão. Por duas. Não penso no que vou deixar para trás. Não penso no que vou perder. Espero ganhar. Espero conseguir. Espero triunfar. Mas, afinal, não é isso que esperamos todos? Todos... Parece-me tanta gente... Mas não sei quem são. Talvez mais fortes, talvez superiores, e mesmo inferiores, que importa? Queria um dado agora. Talvez se o lançasse conseguisse os números que quero. Mas, e se não conseguir? Se estiver a caminhar sobre gelo fino? Se estiver prestes a cair e nem consigo perceber?
Invejo a água. É clara. Incolor. Talvez fosse mais fácil assim. Não sei que cor tenho neste momento, nem isso sei. Estou a enganar-me a mim próprio. Sei bem que cor tenho. Sei que cor quero ver mas se calhar falta-me o lápis de cor. E se eu não o tiver? Seria capaz de abdicar de ver a Lua para conseguir pintar. Seria tão bom se assim fosse. Não existiriam próximas. Nem o amanhã importava, porque o presente era nosso. E o todos? Não, não teriam tal lápis! Mas isto... Isto é o que sonho, o que, se calhar, se demonstra impossível. Não sei. Não consigo ver. Não estou cego para os outros. Mas os outros não vêm, nem percebem. Eu próprio não percebia se me contassem. Aliás, não percebi outrora. Mas agora? Já nada me faz sentido, já não consigo dizer que não, já não consigo controlar-me. Perdi o controlo e devia estar assustado. Não sei onde estou e devia estar assustado. Consigo pintar? Se calhar não. Devia estar assustado...
Não consigo, perdi o controlo e sinto-me guiado. E, cinto de segurança? Não me parece que o tenha posto. E, mesmo que o ponha, será que vai doer menos? Claro que não. A dor é a dor. Está lá e não é tão manipulável. Tenho medo. Talvez de pôr o pé e cair para dentro do lago. Água fria, como agulhas. Sei nadar, provavelmente vou sobreviver. Mas e as cicatrizes? Será que desaparecem?
Não sei se estou a viver um sonho. Será que vou acordar? Espero que não. Sim, é cobardia, mas eu prefiro assim. Ou então, se me quiseres acordar, fá-lo depois. Assim posso dizer que tive um sonho.

"Então e sonhaste com quê?"
"Não sonhei, tive um quase sonho."´

Não quero um quase sonho, prefiro um sonho. E facas? Estacas? Agulhas? Um revólver? Prefiro veneno.
O frasco? Não o tenho, deixei de o ter.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Xeque-mate

" As hard as you try, no, I will never be knocked down. Next time I`ll be braver. I`ll be my own savior."

Impressionante como existem pessoas cujo objectivo principal é tentar fazer os outros sofrer. O trabalho que têm para conseguir nem sei eu bem o quê. Pois, lamento estragar-te os planos. Ganhei imunidade. Tenho agora células de memória que me permitem uma resposta mais eficaz. Às vezes acho que não cresceste, que te tentas constantemente pôr em bicos de pés, para pareceres mais alto. Talvez, sempre que fazes alguém sofrer, te sintas maior daí fazeres o que fazes. Fizeste-o com amigos meus, sei disso muito bem. Sei que a fizeste sofrer, mesmo que ela tenha dito que não. Tentas fazer o mesmo comigo. Nunca o conseguiste porque sabes, tão bem como eu que te baseias num castelo de cartas. Mas, agora? Conseguiste colmatar as falhas, conseguiste encontrar um ponto fraco. Parabéns, tirava-te o chapéu (se o tivesse).  Contudo, tenho algo para te dizer. Um ponto fraco, uma falha numa construção de um castelo, por muito alto que seja, é imprevisivel. Não tem que ceder. Lamento, não me farás ceder. Lamento que tenhas algum dia conseguido fazê-lo às pessoas de quem gosto. Por mim podes sempre pôr-te em bicos de pés. Apregoa ao mundo, parabéns, conseguiste ultrapassar-me. Mas, lamento. Não me vais deitar abaixo, e até te digo porquê. Conto-te um segredo tão valioso que sempre ignoraste.Não podes saber jogar xadrez sem saberes fazer xeque. Amizade.  De que te vale tudo isso? De que te vale achares que conseguiste? Quem tens a teu lado, quem te dará os parabéns, a quem podes recorrer quando precisares? Eu, um dia estive lá. Agora? Lamento, o tempo passou. A vida é um jogo, não é o que dizes?
Xadrez. Sempre gostei de jogar xadrez, nisso somos iguais. Correcção, fomos. Já soubeste fazer xeque. Já soubeste o que era roque. Agora? Lamento.
Xeque.
Correcção.
Xeque-mate.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ciclo das Galochas

Sempre gostei muito de ciclos. Sim, são um pouco repetitivos mas eu gosto deles. O ciclo das rochas por exemplo é um dos meus preferidos, certamente mais interessante que o ciclo da água (não querendo ferir susceptibilidades) .Tenho boas recordações do 1º Ciclo e. por ironia do destino, uma vez mais, encontro-me envolto num ciclo. Não é um ciclo feio nem tão pouco irritante (como o Ciclo de Krebs por exemplo), até é engraçado. Pode ter consequências (certamente as tem como qualquer outro) mas eu gosto dele. É um ciclo.
Dá-me a oportunidade de ter esperança, de poder acreditar que é possível. Noutra ocasião nem pensava duas vezes. Com uma confiança (e talvez arrogância) inabalável diria que não era um ciclo. Que tinha conseguido, não à primeira, mas à segunda. Aprendi que não é o melhor pensamento, podem aparecer pedras que nos fazem bater com os dentes no chão entretanto. Por isso digo que sim, é um ciclo. Um ciclo que me traz boas coisas agora e que, espero, se quebre na segunda-feira. E, ao estilhaçar-se, espero também que me deixe ouvir (ou melhor, ver) o que quero. Certamente que vai ser mais difícil, que vou ter algumas dificuldades mas isso, a ver vamos. Tenho que esperar, aguardar, ser paciente. Aprendi que a paciência é uma grande virtude. E, se esperei este tempo todo para agora poder sonhar, valeu a pena. Além disso sempre me disseram que nada acontece por acaso (talvez seja aquela rapariga irritante, a ironia, que me está a tentar ensinar alguma coisa, quem sabe?). Se calhar estou a precipitar-me, se calhar estou a falar de mais mas pouco me importa agora. Quero sonhar. Sim, adoro ciclos. Bem, talvez uns mais que outros mas isso pouco importa. Ainda gosto mais quando se quebram. Quando se entrelaçam com outro para se voltarem a separar mais tarde e, neste momento, sinto-me como uma criança pequena. Se calhar voltei à infância e estou a pular de poça em poça, com umas altas galochas para não me molhar. Se calhar estou só a sonhar, ou num estado de loucura temporário. Pular de ciclo em ciclo não é muito saudável mas é divertido.

"- Se calhar devia parar."
"-  Não !"
"- Vou amuar. Quero sonhar e quero divertir-me. "
"- Hmm, mas não queres ficar constipado, de certeza."
"- Já sei ! Se calhar devia comprar umas galochas! Assim podia criar um ciclo novo, o ciclo das galochas!"

sábado, 17 de setembro de 2011

Manuais de instruções

Às vezes acho que nós, seres humanos, devíamos vir com materiais de instruções. Não se trata de fugir à verdade quando digo que sempre consegui perceber bastante bem as pessoas. Já aqui disse que não tinha um raio-x nos olhos mas considero-me bastante observador e, como tal, consigo saber com o que posso contar. Bem, claro que isto é o tradicional, o que normalmente acontece. Contudo, ultimamente, tenho vindo a enganar-me. Talvez seja a vida a querer demonstrar-me que nunca se pode ter a pretensão de conhecer alguém. No entanto não o consigo evitar. Especialmente com os nossos amigos. Sim, isto é tão mais verdade para as pessoas que julgamos conhecer como a palma da nossa mão e que, depois, nos surpreendem. Claro que a surpresa não tem de ser negativa, nem ter de ser tão pouco conducente à desilusão. Sim, também há aquela atitude que nos surpreende pela positiva, que nos tira os pés do chão. Começo a ponderar se estou com os olhos bem abertos. Se calhar subestimo os outros. Não gosto de o fazer e é um erro tremendo mas, talvez inconscientemente, o tenha vindo a fazer. Tenho sido surpreendido constantemente nestes últimos dias e (felizmente) de forma bastante positiva. O problema é que isto levanta uma questão. Como vou eu lidar agora com isto? Sim, porque é uma mudança, uma alteração. Se calhar tenho sido imprudente, irresponsável, tenho neglicenciado coisas que são bem mais relevantes. E isto leva a termos que analisar, observar, tentar conhecer novamente quem julgávamos ter conhecido. Levantam-se questões impensáveis antes. Talvez faça parte da minha racionalidade querer ter o controlo, saber com o que posso contar. Começo a achar que é um erro. Começo a achar que não tenho nada sob controlo. Que as pessoas não são como eu as imagino. Umas melhores outras piores. Tenho que me adaptar, mas a evolução não é de todo rápida. E isto faz-me desejar algo que me ajude. Saber o que dizer. Saber o que calar. Saber o que posso fazer. Saber o que não posso. Saber como fazer. Saber o porquê e o porque não. Sim, gostava de ter um manual de instruções. Talvez seja mais fácil assim...
Mas eu nunca consegui montar nada do Ikea (à excepção de um candeeiro com 4 peças). Nem mesmo com um manual de instruções. Claro que não me esforcei minimamente. Paciência, não tive. Quem me garante que agora a teria?  Os manuais de paciência fazem-me falta, sim. Mas são falíveis, às vezes pouco explicativos...
Passarei a estar mais atento. A não desvalorizar, a não ignorar. Manuais de Instruções, para quê? Sei bem como lidar comigo próprio. E com os outros? Se não sei, vou aprender. Manuais de Instruções? Fazem falta mas alguém os criou pela primeira vez.
Eu, farei o mesmo.

"Não venho com material de instruções, lamento."`
"Pouco me importa, sei que vales a pena. Se for necessário, escreverei o teu manual ."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Teatro e a Previsão

"Cause there`s a side to you that i never knew, never knew"

Ontem conheci um grande amigo de um grande amigo meu. Pareceu-me simpático, boa pessoa, um bom amigo. Sei como se chama, a cor dos olhos, em que faculdade anda, onde mora, quanto calça, quanto mede e, mesmo que algumas destas coisas possam ser estimadas sem serem dadas a conhecer, as pessoas tendem a dizer : "Conheci alguém. ". Devo admitir que isto me faz uma certa confusão, este verbo. Efectivamente nós conhecemos a pessoa, somos apresentados, ficamos a saber algo sobre ela, mas conhecemo-la? Sabemos o que pensa? Porque luta? Pelo que sonha? O que a faz chorar? O que lhe põe um sorriso no rosto? Devia existir outro verbo a aplicar nestes casos. Por mais irónico que possa ser, até classificamos estas pessoas como "conhecidos" quando, provavelmente, não sabemos com o que podemos contar. No entanto, também sucede o oposto. Existem pessoas com quem se calhar não trocámos mais que um olhar e que sentimos que conhecemos. Podem ser pessoas transparentes, mais verdadeiras, mas não necessariamente. Não é a pureza que nos faz sabermos quem são. ´
Se calhar é o olhar. Para mim, olhar nos olhos alguém pode dizer-nos muito sobre o outro. E não são precisos rótulos, máscaras, fingimentos. Não, não tenho raio-x incorporado nem qualquer poder de adivinhação (mesmo que me atirem com búzios, cartas, ou chávenas de café). Simplesmente acho que os olhos são como impressões digitais, verdadeiros, representativos. Claro que, mesmo em algumas pessoas, nem os olhos nos podem dizer o que pensam e, por muito que as tentemos perceber, não vamos conseguir. Se calhar sou assim. De toda a gente que conheço, só duas pessoas me conseguem olhar nos olhos e saber quem sou, mesmo que eu não queira que se saiba. O que penso. Com que sonho. O que me faz chorar. O que me leva a gritar. Se calhar sou pouco expressivo, olhos tão banais, castanhos como tantos outros. Ou então, se calhar, somos nós que não sabemos ver. Se calhar somos nós que não estamos disponíveis, inalcançaveis, não os outros.
Não achei o rapaz que conheci ontem transparente. Conhecer? Não, não o conheci. Se calhar não é pelo reconhecimento visual que conhecemos alguém. Porque há quem esteja uma vida inteira ao lado de alguém sem conhecer com quem vive. Mas então, quando sabemos se conhecemos alguém? Não sabemos acho. Nunca conhecemos verdadeiramente alguém. Não vivemos em condições extremas. Não vivemos numa utopia. E o meio? Não nos permite avaliar. " O Ser humano é capaz de executar os actos mais bárbaros quando está em causa a sua sobrevivência ". Racionalidade a mais? Talvez. Mas, se assim não for, conheceríamos meio mundo e, nessa altura, a desilusão seria maior, insuportável. E o que seria de nós sem segredo? Sem risco? Sem sabermos o que nos espera? Fantoches, Marionetas, num espectáculo certamente dramático e eu?  Prefiro comédia, sempre escapa à rotina.

"Olá, prazer em conhecer este teu lado. Espero que um dia venha a conhecer o outro."

Prever o Futuro? Não, obrigado. Não gosto de fantoches.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Brisa Musical VIII / A criança do lugar escuro

Ergui-me. Conheci o sabor das lágrimas, refugiado num lugar escuro. Precisei de estar sozinho. Talvez para reordenar pensamentos, talvez para saber aceitar o que não posso mudar.
 Como tinha pedido, deram-me a mão. Tive, a meu lado, quem me ajudasse a caminhar para a batalha novamente. Achava que, provavelmente, ia lá ficar junto a uma pedra escura, durante muito, muito tempo. Felizmente não.
Às vezes pergunto-me se o Mundo não é como um rapaz amuado que, por capricho, muitas das vezes nos faz sofrer. E a seguir, quando o amuo passa, o rapaz decide dar-nos um presente, um sorriso contagiante que nos faz ver a vida com outros olhos. Se calhar devíamos estar mais gratos por isso. Típico do ser humano, é raro agradecermos. Há quem diga que é por não termos nada para agradecer, mas será verdade? Estamos vivos. Termos quem amamos ao nosso lado. Podermos ver, ouvir, cheirar, tocar, provar. Existir luar. Existir mar. Não será suficiente? Sim, sei a que sabem as lágrimas. Sei a que sabe estarmos num lugar escuro. Sei a que sabe termos surpresas pouco agradáveis. Sei a que sabe a dor. Mas, acima de tudo, sei a que sabe não estar sozinho. Sei a que sabe darem-nos a mão, sei a que sabe ter alguém que nos apoie. Sei a que sabe ter alguém que nos dê força, que nos roube um sorriso. Tive quem me desiludisse. Quem nem sequer percebesse o quanto sofri. Se calhar tinha expectativas demasiado altas, mas tive também quem mais uma vez estivesse lá. E não será isto suficiente para agradecer? Sei que é só uma palavra, sei que é pouco para alguns, mas para mim vale muito. Obrigado. Obrigado por estarem lá, por me darem a mão, por não me deixarem desidratado, por me guiarem a casa. E aos que não me deram a mão? Aí, agradeço ao rapaz amuado. Agradeço por me ter mostrado uma vez mais que vou sofrer muitas vezes. Agradeço por me ter mostrado que por cada um desses que me esqueceu existe alguém que não se esquece de me ajudar a levantar. Sei que vou cair, que vou esfolar os joelhos muitas vezes. Sei que vou chorar quando cair e quando me tratarem das feridas. Sei agora que vou sofrer muitas vezes, mas sei que vou ter lá quem me sopre a ferida e diga que tudo vai ficar bem...
Talvez me falte mentalidade, sim, talvez ainda não tenha percebido que não vivo num conto de fadas daí custar-me tanto de cada vez que tropeço. Talvez não queira crescer. Talvez queira viver assim para sempre...
Mas o sempre não existe. Nada dura para sempre. Espero pelo dia e, mesmo que não queira, um dia só permanecerá a memória de quando era feliz, de quando achava que o arco-íris terminava num pote de ouro...



P.S.: A música pouco ou nada tem a ver com o tema mas descobri-a ontem e não consigo parar de a ouvir. Mas, quem sabe? Talvez um dia faça sentido outra vez.

"Regrets and mistakes, they're memories made
Who would have known how bitter-sweet
This would taste?"

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Colocado

Nunca pensei que uma palavra tão simples pudesse fazer alguém tão feliz. Um sorriso. Um salto. Um  parabéns. Estás na Faculdade. Um sorriso rasgado. Um salto ainda mais alto. Um parabéns dito em voz bem alta. Consegui. Consegui o que queria. Entrei no que queria e, um dia, farei o que gosto. Uma bênção. Dias antes tinha a convicta certeza de que iria entrar. O meu nome estaria lá, associado a uma pequena palavra. Colocado. Sim, tinha a certeza e nunca duvidei. O grito que iria dar, os telefonemas que ia fazer a seguir, tudo tão bem ensaiado, esperando pela grande estreia. 2 e 32 da tarde. Abri o site, procurei o meu nome. Não Colocado. Não haverá sorriso, não haverá salto. Parabéns? Fora de questão. E os telefonemas? Feitos, mas num tom diferente. Melancolia. Tristeza. Alegria? Fica para todos os outros. Para os que leram colocado naquele momento. E aos sorrisos brindemos. E à alegria, e ao prazer de fazermos o que gostamos numa vida tão grande. Não foram dois valores. Não foram três nem quatro. Talvez fosse mais fácil brindar a isso. "Não entrei, por dois valores." Mas não. Porque a ironia tem que estar presente, mandar-me abaixo uma vez mais negando-me o que julgava tão certo... Mas quem poderia ter adivinhado? Quem poderia saber a que saberia o desespero, o fracasso? Minto quando digo que é só um ano, que pouco me importa. Que serei mais forte. Dói-me. Talvez mais do que julgava ser possível. Dramatismo? Não, desespero. Porque quando se ultrapassa uma barreira pensa-se que estamos lá. Sim, porque não existem barreiras a bloquearem-nos a meta. O pior são as pedras, as pedras que nos fazem cair. As pedras que nos esfolam. As pedras que nos fazem bater com os dentes no chão. As pedras que nos fazem sangrar. As pedras que nos ensinam a que sabe o sangue. Sim, porque quem poderia adivinhar a que sabe o sangue sem o beber? Quem poderia ter avisado os sonhadores que, um dia, os sonhos caem, perdem a gravidade. Se calhar, deviam avisá-los do tamanho da queda. Do que iriam sofrer, deviam avisá-los que as pedras estão lá também. Esquecer? Não. Será uma lição, mais uma. Sei disso tão bem. Não fiques triste dizem... Não consigo. Estou a sofrer. Em silêncio talvez. Para os outros digo que levantei a cabeça. É o que se espera que eu faça. Tenho forças para o aguentar e vou combater, lutar, porque vou vencer. Odeio que o pensem. Eu sofro. Não sou de ferro e, se soubessem ver com o coração conheceriam a que sabem as lágrimas. Cloreto de Sódio. Sabem-me a mais que isso. A dor. Sim, porque afinal a dor também pode ser saboreada. Sim, porque saborear algo não é apenas positivo. Querem que me erga? Não consigo. Deixem-me de joelhos. Não consigo levantar-me ainda...
Colocado...
Sim, a que sabe isto? A que sabe tão simples palavra?
Não sei. Talvez para o ano saiba. Sim, porque este ano não vai ser a palavra no local certo. Porque as palavras têm lugares próprios onde sabem melhor.
Não entrei na faculdade no curso que queria. Não sei a que sabe a palavra colocado. Não sei a que sabem os sorrisos que podiam ser meus, os saltos, a alegria, os telefonemas. Uma  décima. Parece tão pequeno o número. Tinha razão em não gostar de números. Mais uma vez são eles as pedras. Arrependimentos, erros, quem poderia saber? O doce, o amargo? Esqueçam. Não agora. Deixem-me chorar. Terei tempo para levantar a cabeça, para encher as feridas de álcool, para desafiar a gravidade uma vez mais. Nessa altura vou estender-vos a mão para me levantarem.
 Agora , por favor, deixem-me conhecer o sabor das lágrimas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dir-te-ei um segredo. Guarda-o. Um dia precisarás dele.

Tenho um segredo para te contar. Prometes que não contas a ninguém?


Estive a olhar pela janela a ver os portões da escola.Vi uma certa agitação, agora menor dada a hora que é. Vi imensos miúdos a brincar, a sair alegres com um sorriso na cara e com uma mochila nova nas costas. Provavelmente cheia de cadernos ainda com aquele cheiro característico de que foram comprados recentemente. E os livros, ainda pouco ou nada abertos, cheios de matérias excitantes e emocionantes a abordar ao longo de todo um ano lectivo. Claro que, para alguns, as matérias são pouco ou nada excitantes ou tão pouco entusiasmantes mas não é com esses que me identifico. Sim, ao ver aquelas crianças a sair da escola, lembrei-me de mim. De quando ia comprar material escolar contentíssimo, da primeira vez que entrei o portão da escola, nervoso, sem saber como iriam ser os meus novos colegas ou os professores, mas com apenas uma certeza. Seriam 3 anos que iriam decidir o meu futuro, que me permitiriam (ou não) lutar pelo meu sonho. Não lutei, pelo menos não o suficiente mas, o engraçado, é que se tudo correr bem, vou conseguir o que quero. Sim, porque nem em todas as alturas da vida desejamos ou ambicionamos o mesmo. Não gosto de me agarrar ao passado. O passado é um tempo esquecido, relembrado apenas por escassos momentos, envolto numa certa neblina e, mistificado, muitas das vezes. Fez me bem no entanto. Gostei de relembrar alguns momentos, nem que por breves instantes. Por momentos tive o poder de recuar no tempo, de voltar a ser uma criança. Caminhando ansiosamente para o seu primeiro dia de aulas, com uma mochila pesada nas costas cheia de cadernos por estrear. Avancei um bocadinho mais. O nervosismo está lá. Mas agora é uma escola diferente, de pessoas mais velhas e a criança passou a adolescente. Prepara-se para os seus primeiros exames no final do ano e para ingressar no ensino secundário ! Agora é que vai ser. Lutar pelo meu futuro-pensa
a criança.



"Se pudesses, davas-me a Lua? "
"Não. "
"Porquê?"
"Porque se o fizesse ninguém mais a poderia ver."



 De repente a bolha de pensamento desfez-se. Talvez uma avaria na máquina do tempo. Ah, pois, já sei. A máquina não avança para a frente. Só recua no tempo, incapaz de ser tal e qual uma bola de cristal. É pena. Gostava de ver o adolescente, agora mais velho, a dirigir-se para a faculdade. O nervosismo estará lá certamente. A mochila não sei bem ainda. Não é exactamente nítida a imagem. Os livros, provavelmente mais pesados. Mas ele parece aguentar bem o peso agora, já está maior, capaz de aguentar melhor o que se avizinha. Bem, amanheceu. A Lua desapareceu da minha janela. As imagens também desapareceram. Pois, é limitada eu sei. Às vezes nem aparece. Eu sei, podia ser mais eficaz, mas o ser bela, o esconder de uma face ocupa-lhe algum tempo, mas mesmo assim ela normalmente está lá. Se lhe pedirem ela mostrar-vos-á a outra face, a do Sonho. Não liguem se vos disserem que não é possível verem-na. "Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida"



Este é o meu segredo. Prometes que não contas?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Brisa Musical VII

Hoje, enquanto estava a olhar para as nuvens, apercebi-me de que estavam cor-de-rosa, o que me fez lembrar o algodão doce. Fofinhas. E até tive vontade de as comer. Contive-me. Se as comesse, ninguém mais as ia ver. Então, deixei as lá ficar e vim ouvir música para dentro. Entretive-me a vê-las seguir o seu rumo, no seu passo vagaroso, como caminhando para um lugar distante, uma convenção de nuvens algodão doce talvez. Assim fiquei a admirá-las, a "comê-las", mas com os olhos, enquanto ouvia isto...



terça-feira, 6 de setembro de 2011

A rapariga dos cabelos castanhos

Devem conhecer aquela célebre frase : O mundo é pequeno. Apesar de, em termos racionais isto ser um pouco absurdo (dependendo claro do nosso conceito de mundo e do objecto de referência para a medição), até que às vezes, posso entendê-lo. Ontem, depois de ter visto o Titanic (e de ter chorado pela milionésima vez- sim, um pouco estúpido mas não o consigo evitar), recompus-me e fui dar uma volta. Não encontrei crianças a brincar na rua contrariamente ao que esperava. Nem senhoras, já com alguma idade, a passear os seus cãezinhos. Fiquei um pouco espantado, mas enfim, as crianças provavelmente preferem estar no computador (oh sweet irony ) e as senhoras, essas.... bem, se não estiverem no computador também, talvez possam ter ido de férias, sim porque não? Continuei a andar e sentada no passeio estava uma rapariga com longos cabelos castanhos caídos sobre algo que me parecia um telemóvel. Ia passar por ela quando sai de um prédio próximo uma  das minhas ex-namoradas (sim, tive e isso é algo a falar um dia) que, ao sair, reconhece-me e vem me falar. Cumprimento-a , conversa casual, como estás, entrada na faculdade, vais sair? Ao que ela me responde,  "Sim, vou dar uma volta com uma amiga minha que ali está sentada à minha espera" Começámos a andar. Então e onde vão? "Estamos a pensar ir à escola porque ela tem de ir tratar de umas coisas e depois devemos ir ao .***** (por razões de confidencialidade vou omitir o nome do sítio :P) " E tu, vais ao supermercado?" Não, ia à papelaria. "Ah, então fazes-nos companhia até à escola" Claro, sorri. Chegámos ao pé da rapariga e eu tive aquela sensação de já a ter visto antes mesmo de saber o seu nome. " Christopher, esta é a N. " .
"Olá -cumprimentou ela- não te lembras de mim já?" Hmm, a tua cara não me é estranha mas para ser sincero de momento não -disse sorrindo.
Afinal, a rapariga dos cabelos castanhos, aquela por quem eu ia passar sem sequer olhar uma segunda vez, tinha sido minha amiga de infância. Sim, era uma grande amiga, com quem eu outrora ia para o parque brincar, com quem jogava à apanhada, às escondidas, com quem devo ter visto o meu primeiro filme de terror que me deixou sem dormir quase uma semana. Ela mudou-se. Foi viver para longe, e lembro-me de me ter custado muito vê-la partir. Agora que penso nisso, de todos os meus amigos de infância apenas ainda falo com 2. Damo-nos bem e continuamos, ainda hoje, crianças grandes que só fazem parvoíces. Recordámos alguns momentos bons, rimos ao lembrar-mo nos do quão pestes éramos. "Lembras-te quando atirávamos pedras para a garagem do Sr. M. , fugindo quando ele vinha disparado atrás de nós ? " Lembro-me. Lembro-me disso tudo. No entanto, lembro-me porque tu te lembraste de mim. Sim, porque se a M. (a minha ex-namorada) não tivesse saído naquele momento.... Sim, se tu e ela não se tivessem tornado amigas por causa da irmã dela. Sim, se tu não tivesses voltado para o sitio onde outrora brincaste naquele parque comigo... Sim, porque eu passaria por ti. Iria ignorar-te e não iria lembrar-me de ti. Não até encontrar-te um dia , talvez. Sim, iria até à papelaria sozinho e, dali a cinco minutos, cinco segundos se calhar, nem me iria lembrar que vi uma rapariga sentada no passeio. E, se por acaso me lembrasse da cor dos teus cabelos não serias N., a minha amiga de infância. Sim, hoje vi uma rapariga sentada no passeio. A rapariga dos cabelos castanhos.

Espuma de Cristal

Estive a tomar um banho relaxante hoje. Daqueles que demoram muito, muito tempo com uma banheira cheia de espuma. Enquanto tomava banho, ao som dos coldplay, tive uma visão. Ou melhor, um raciocínio que nunca fiz visto que nunca me ocorreu. Assim, olhei para uma bolha. Soprei e ela voou, bem por cima da minha cabeça até se desfazer contra o vidro. E, este simples percurso, tão rápido, despertou em mim uma certa surpresa. "Olha, as bolhas também crescem-eu fiz a minha crescer através do sopro-voam bem alto e depois, um dia, acabam por desaparecer, desvanecem-se..." Depois, pus-me a pensar. Em que fase estou eu ? Sim, já não sou uma criança. Adulto? Hmm acho que ainda me falta compreensão e alguma maturidade. Adolescente? Não gosto muito do termo mas , há falta de melhor...
" Mas e então quando vou saber que sou adulto? Quando é que vou ganhar a compreensão e maturidade que me faltam?" A faculdade talvez. Pelo menos é o que acho que me vai fazer "abrir os olhos". Até aqui tenho sido mimado, acho. O aluno preferido dos professores, o aluno certinho que ia tendo uns valores a mais a matemática sem saber como , simplesmente por ser simpático. A escola era ali ao pé, a dois passos. Transportes públicos? Muito raramente e "passe" era uma palavra que não constava no meu dicionário. E, os amigos? Nunca fui popular mas tenho um bom grupo de amigos e também nunca me considerei sozinho, sorte minha. Irmãos? Não tenho, apesar de com grande pena minha, o que me fez talvez ainda mais mimado. Financeiramente? Graças a Deus, nunca passei dificuldades e , apesar de já ter vivido melhor, sou privilegiado também nesse aspecto. Saúde? Tirando alergias, também nunca tive nada de grave, nem eu, nem a minha família . Pais, Avós, Primos, Tios todos vivos e de boa Saúde. Sim, tenho tido sorte. Tenho sido mimado pela vida e, acho que ainda não tenho noção da vida, do que é duro, do esforço propriamente dito. Claro que muitas destas coisas irão manter-se quando entrar na Faculdade, mas se calhar a maneira como as vejo vai mudar. Sim, tenho algum medo. Gostava de às vezes permanecer assim para sempre, sem crescer, tal e qual Peter Pan. Mas, mesmo assim, não posso fazer nada senão esperar. Sim, porque pode ser que este meu "eu" mais racional esteja enganado, que tudo se mantenha cor-de-rosa. E, se mudar, se deixar de ser privilegiado? Não há problema. Aprenderei a agradecer. Sim, porque mais não seja, um dia fui feliz.